Está difícil encontrar seu lugar no mundo?


Desde a mais antiga lembrança minha brincadeira favorita era trabalhar. Minha estação de trabalho era o bar da sala da casa dos meus pais. Da loja do meu avô trazia blocos e mais blocos antigos de nota fiscal que adorava preencher, com letra bonita e canetinhas coloridas, os pedidos de uma mercadoria imaginária.

Papel, canetas, bloquinhos, livros, sempre foram os melhores presentes. Em um aniversário ganhei um jogo de carimbos - um sinal de que o “negócio” prosperava. Sentia-me muito importante carimbando furiosamente tudo que via pela frente, imprimindo minha marca.

Anos depois, já na vida corporativa, tive que assumir, entre muitas atividades, a função de síndica de um grande condomínio corporativo e como dizia um colega “eu já havia treinado na infância”!

Outras brincadeiras também eram trabalho: vender suco e bolo, montar uma vendinha na casa de praia, organizar um desfile de moda de bonecas, encenar um programa de TV, estas eram minhas aventuras, ou seja, nada de esportes radicais, piscina ou natureza.

Começando a construir pontes

As recordações explicam a trajetória escolhida e talentos já revelados na infância. Aos 17 anos decidi estudar Arquitetura. Achava interessante pelo desenho e pela possibilidade de ver um projeto construído e pronto. Era algo concreto com começo, meio e fim que seria produzido para uso e conforto de pessoas. Essa sempre foi minha principal resposta para a escolha desta carreira, porém, somente muito mais tarde entendi o que significava.

Na jornada universitária tudo o que eu queria era trabalhar e após o primeiro ano de estudos, em período integral, iniciei um estágio. A partir daí não parei mais de trabalhar e aprender.

Pelos estudos da faculdade sabia que desenhar detalhes e projetar interiores era algo que não me interessava. Gostava de ir à obra, falar com peão e mestre. Queria pensar no funcionamento depois de pronto e na legalização do projeto, ou seja, o projeto de forma concreta.

A dança corporativa

Após a faculdade ingressei no mundo corporativo e, rapidamente, migrei do projeto para área de negócios, marketing e desenvolvimento de produto. Nesta jornada aprendi a entender a dança corporativa, eram os tempos da reengenharia quando começava a primeira de muitas mudanças na vida empresarial e no formato de trabalho.

Tive oportunidade de ter gestões generosas e desafiadoras; além de gerir profissionais iniciantes que me inspiraram na busca de novos conhecimentos e no entendimento do “aprender para ensinar”. Estudar foi e é a linha condutora, sou uma estudiosa por natureza. Me interesso por tudo e tenho o hábito de escrever.

Entre finais e recomeços, nasce um propósito

Agora, em férias, estou engajada em três cursos diferentes. Gosto de usar cada minuto para ver e ouvir ideias novas. A curiosidade e o poder de observação me levaram a escrever e estudar o comportamento humano.

Evolui na minha carreira corporativa com dedicação e reconhecimento e foi deste lugar que construí minha vida e sustento, mas em algum momento senti falta de um propósito e, neste contexto, a empresa onde trabalhava por seis anos encerrou as atividades. Foi como um divórcio sob a vontade do outro, o fim de um ciclo forçado. Neste momento recebi um programa de outplacement. Não sabia como funcionava nem como me ajudaria, mas arregacei as mangas e fui! Não gostei do prédio, do lugar e bem reativamente comecei a frequentar o programa onde, pela primeira vez, aprendi sobre orientação de carreira e como os talentos podem ser organizados e a trajetória planejada e escolhida.


Aprendi, também, que parte daquela experiência corporativa que eu havia acumulado com profundidade, o entendimento dos influenciadores e das rotinas empresariais era algo que eu gostaria de ensinar.

Assim, desenvolvendo minha pesquisa, em 2006, cheguei pela primeira vez ao Coaching e descobri como se aplicava ao mundo corporativo. Match! Era isso! Foi  o inicio da minha da transição de carreira que eu não sabia (ainda!) muito bem como seria. Começava minha nova jornada de estudos que continua até agora. Em 2007 iniciei os atendimentos “pro-bono”. As indicações foram pouco a pouco surgindo e, entre 2007 e 2014, aconteceu uma sequência de aprendizados, investimentos, estudos e muita conciliação entre vida corporativa, cursos e atendimentos até meu desligamento da posição formal como executiva


Em 2012 publiquei meu primeiro livro "Terceira Virtualidade", editora  LIVROPRONTO, 156 páginas. Sônia é a fictícia personagem desta história de muitas, a viuvez, a casa sem filhos, as mudanças no mundo e novos valores sociais diferentes daquilo que sempre acreditou ser o “certo” para a vida e verdades “para sempre”. Sônia enfrenta uma enorme angústia, ao se deparar com questões que não estava preparada para enfrentar naquela fase da vida. 

Muitas mulheres se vêem na personagem, sozinhas ou solitárias, dedicadas a projetos familiares “perfeitos” que não existem mais encaram esta realidade e podem escolher, ou não, o tempo como aliado. Tomo emprestado os versos de Eclesiastes na abertura de cada um capítulos, verso que sabiamente dizem:

"Um tempo para plantar , um tempo para colher"

Nos quatro anos seguintes expandi os atendimentos para empresas, consultorias e expatriados entregando processos em português e inglês. Conciliei estas atividades ainda com a de consultora corporativa na área empresarial que havia dedicado a maior parte da minha carreira. Esta conciliação permitiu ver o que havia aprendido nas duas posições.

Durante a jornada percebi que adoro os atendimentos individuais aqueles que vem por iniciativa própria de desenvolvimento são meus preferidos. Gosto do vínculo e do modo particular de cada um.

A partir de 2016 comecei a receber solicitações para assuntos pessoais e não somente carreira e desenvolvimento profissional. Fiz alguns processos de orientação financeira e surgiram outros temas. Decidi, então, fazer uma formação psicanalítica, agora em conclusão.

Neste momento continuo investindo na minha formação pessoal e nos atendimentos individuais. A grande realização foi descobrir como a marca pessoal que construí durante a vida corporativa gerou valor nesta nova trajetória e referendou o trabalho com indicações, consultas e respeito pela transição.

Sou muito grata por esta experiência e decidi contar aqui para compartilhar e inspirar outras pessoas. Esta é a minha história, minha ponte passada, futuro, meu presente. É a principal referência do trabalho que faço para auxiliar pessoas a construir suas pontes, achar caminhos e buscar encontros consigo mesmo.

Lembra da sua infância? É lá que estão seus talentos. Esse exercício é muito saudável para fazer a gestão da sua vida e carreira, pois é um norte, um guia para todas as escolhas.

Existem técnicas para fazer essa jornada com estratégia e organização. O processo de coaching pode te ajudar a planejar as etapas, minimizar os erros e focar nos objetivos.


Sobre autora

Monica Barg - Especialista em Desenvolvimento Humano, coach com formação em Psicologia Positiva, Orientação Profissional e Psicanalise. Sou membro da ICF-RJ.

Atuei por 29 anos na área de desenvolvimento de negócios, gestão de processos e pessoas, atendimento ao cliente, marketing, estruturação e treinamento de equipes comercias onde adquiri experiência em Gestão Empresarial e Relacionamento com clientes corporativos e C-Level. Alio a experiência corporativa à atuação como psicanalista e orientadora de carreira usando a capacidade de observação do cotidiano para o entendimento da necessidade do outro estabelecendo, de forma objetiva, o processo de gestão de pessoas e talentos. CONTATO: monicabarg.coaching@gmail.com


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Créditos

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